quarta-feira, janeiro 07, 2009

Memórias

Hoje, mais que nunca, apetecia-me estar longe. Apetecia-me estar a viajar. Como não tenho essa hipótese, resolvi ir buscar ao meu baú de boas memórias a minha viagem a Goa.
Fui na época baixa, que é como quem diz na altura da monsão, ou como quem diz nada de festas trance na praia, poucos ou nenhuns turistas, a não ser alguns malucos que lá foram de férias e lá ficaram, todos queimadinhos (provavelmente depois de algumas festas de transe na praia de Anjuna).

Primeiro, aterrei em Bombaim, e lá fiquei de um dia para o outro.

A vista ao aterrar é assustadora. Á volta do aeroporto, a perder de vista, barracas e mais barracas, numa miséria de meter dó.


Assim que saio do avião, paro e respiro fundo. Um misto de cheiros (insenso, caril e mijo de elefante), que à maioria das pessoas que estava naquele avião se revelou incómodo, assim como um calor de 34 graus e uma humidade de praí 80%. A mim, parecia-me ter chegado a casa, por estranho que isto pareça. Senti-me bem, estiquei os braços como se me fosse espreguiçar e sorri.

Apanho um táxi para o hotel. O trânsito é o caos. Todos buzinam uns aos outros, até que percebi que é um gesto como de cumprimento, quando constatei que a maioria dos carros tinham um autocolante na traseira que dizia "Horn please!". Estes Indianos são doidos, pensei. No meio de uma avenida enorme e c om um movimento frenético passeava um gajo... montado num elefante, no meio de pessoas e carros.

Bombaim é dividida. Tem os tais bairros miseráveis, os tanques públicos (para onde vão todos lavar a roupa), tem "intocáveis" espalhados por tudo o que é ruas, principalmente debaixo de pontes. Para quem não sabe, os "Intocáveis" é uma casta, a mais baixa, que é nivelada com o que de mais impuro possa existir. Qualquer Indiano de qualquer casta que seja superior não toca nem sequer cruza o olhar com um Intocável. Assim que o meu táxi parou por causa do trânsito, apareceu logo uma mulher com um bébé ao colo, a pedir. Os dois Intocáveis. Eu comecei à procura de trocos para lhe dar e o taxista começou agressivamente aos gritos "No! Shush!Shuuuuuuush!" e avançou meio metro para a frente, afugentando a mulher.
Expliquei ao taxista que queria ajudar a mulher, mas ele indignado explicou-me que não podia, que não queria aquela Intocável a tocar-lhe no carro, que era uma ofensa ajudá-los. Não insisti. Ele explicou-me que é assim mesmo. Embora esta distinção e descriminação para com os Intocáveis seja hoje em dia proibida pela Constituição Indiana, facto é que ainda é praticada por cerca de 80% da população daquele País. Chega ao ponto de, contou-me ele, ás vezes morrerem na rua e lá ficarem os corpos dias e dias porque ninguém lhes quer tocar.

Têm um mau Karma, e por isso nasceram Intocáveis. É a paga.

Apesar de tudo isto, apesar das diferenças culturais, não posso dizer que não gostei daquele povo. Pelo contrário. Trouxe de lá muito boas recordações, momentos que estranhos, de um povo estranho, me proporcionaram.

Assim que cheguei ao hotel, era só sorrisos. Lá cordiais eles são (ou sabem ser). Naquela noite quis jantar fora e sugeriram-me uma zona de Bombaim considerada de luxo. A onda lembrava-me um pouco o Bairro Alto, mas sem ter tanta gente na rua. Entrei num bar que podia perfeitamente ser no B.A.. Mais uma vez, um taxista explicou-me que aquele bairro era muito cosmopolita, e que a "noite" era das melhores. Que grandes nomes da música e cinema internacionais como o Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones se deslocavam àquela cidade apenas para frequentarem certos bares dali. E de facto aquele bairro tinha qualquer coisa que convidava. Não me demorei muito, pois no dia seguinte bem cedo tinha de apanhar o avião para Goa.

Chegada a Goa, esperava-me um guia, muito simpático. Explicou-me tudo o que eu não podia perder, onde devia ir, como devia ir, etc. Explicou-me tudo isso e nunca mais o vi.
Mais uma vez, taxi para o hotel. Pelo caminho eu estava extasiada com a vista, com as pessoas que andavam na rua, com a riqueza de cores. Por duas ou três vezes vi a minha vida a andar para trás, quando o taxista se atirou para cima de carros em sentido contrário, para se desviar de vacas que calmamente se passeavam no meio da estrada. Podemos morrer todos, mas matar uma vaca é que não, que é sagrada!!! Mas, também mais uma vez, o taxista era porreiro, e o Mr. Morais (apelido que não só é português como também é meu!) ofereceu-se logo para ser o meu taxista pessoal sempre que precisasse. E assim foi. O Mr. Morais levou-me a vários templos de Goa, e quando lhe disse que gostava muito do Ganesh, divindade hindu com corpo humano e cabeça de elefante, ele levou-me logo ao Templo do Ganesh.

O meu hotel era perto de Pangim (agora Panaji), numa zona chamada Sinquerim, na praia do Forte de Aguada. De maneira que nunca me afastei muito dali. Visitei, como disse antes, Pangim, Anjuna (onde costumam haver as tais festas trance na época alta), Mapusa e o seu gigantesco mercado, templos hindus vários, igrejas portuguesas várias, incluindo a do "Bom Jesus", onde está o túmulo de São Francisco Xavier,e a Quinta das Especiarias (adorei!!!)! Mr. Morais levou-me também a todas as zonas boas para fazer compras, sempre lojinhas bem típicas, com muitas pedras semi-preciosas e até preciosas, pratas, as traquitanas típicas indianas.

No 1º dia, parámos num templo que ficava à beira de uma estrada. Não estava lá ninguém, a não ser o Brâmane do respectivo templo (Brâmane é o portador dos ensinamentos dos Vedas, os quatro textos em sânscrito que formam a base do extenso sistema de escrituras sagradas do hinduísmo, que representam a mais antiga literatura de qualquer língua indo-europeia, portanto como os Padres para o Cristianismo.)

Este Brâmane era assim para o gordinho, careca, e as únicas coisas que tinha em cima do pêlo era uma espécie de lençol amarelo atado à cintura e um fino cordel vermelho traçado à tiracolo. Essa era aliás, a indumentária de todos os Brâmanes com que me cruzei nesta viagem, variando apenas a cor dos tais lençois. Sei por exemplo que o tal cordel tem um forte significado, mas não me lembro qual é.
Eu cheguei à porta do templo, e o Brâmane imediatamente olhou para mim e largou um sorriso muito simpático e acolhedor, fazendo um gesto que me convidava a entrar. Ele não falava inglês, e o Mr. Morais entretanto já tinha voltado para o táxi, de maneira que a pouca comunicação que existiu foi gestual. Percebi que naquele momento ele estava a praticar um ritual para Ganesh, então no chão tinha uma estatueta do Ganesh, e em frente da estatueta uma taça com comida e ao lado insensos a queimar. Deixou-me tirar umas fotografias (geralmente não deixam) e não me deixou ir embora sem me dar uma banana e uns torrões de açúcar. Agradeci muito e fui-me embora com a alma um pouco maior.

No dia que fui visitar Anjuna o céu estava carregadinho de água e cinzento escuro, de maneira que não me demorei muito. A praia é muito bonita, e ainda perdi uns minutos a imaginar as festas trance que ali aconteciam na época alta, cheias de estrangeiros todos malucos e queimadinhos. Umas mulheres por ali andavam a vender coisas, e agarravam-me e quase que desatavam à pancada umas com as outras para ver quem é que me vendia alguma coisa. Acabei por comprar nem me lembro o quê àquela que mais se destacou visualmente: uma mulher feia como os trovões mas com traje a rigor do Rajastão, carregada de ouro, da orelha ao nariz e cabelo, com um sari de cores fortes e vivas.

Em Mapusa, um famoso mercado enorme, limitei-me a comprar uns incensos e umas pulseiras, nada mais.

Num dia que nada tinha planeado resolvi pegar na máquina fotográfica e dar uma volta a pé. Saí do Hotel e fui andando, andando, andando, até que dei com um templo pequenino que parecia abandonado, e tinha a porta fechada.
Estava eu entretida a tirar fotografias à fachada quando, por trás do templo, aparecem três cabeças a espreitar e a rir.
Aparece-me uma mulher, um homem e um miúdo praí de 16 anos Brâmane! O miúdo começou a acenar a chamar-me. Eu lá avancei, espantada com o miúdo, tão novinho e era já o Brâmane. O miúdo falava inglês pelos cotovelos, com um sotaque macarrônico, mas com um vocabolário vastíssimo. Fez questão de me mostrar o seu Templo e deixou-me tirar fotografias à vontade, algumas até com os três a fazerem pose. Quem eram os outros 2, que não deviam ser os pais porque me pareceram muito novos para isso, nunca percebi pois eles não falavam inglês e limitavam-se a acenar com a cabeça e a sorrir.
Depois, e sempre a falar pelos cotovelos e com um entusiasmo enorme, o pequeno Brâmane quis me mostrar o seu altar pessoal, que o próprio tinha construído com muito trabalho e orgulho, fora do templo e debaixo de uma espécie de alpendre. O altar tinha 12 estatuetas de barro feitas por ele, e cada uma tinha roupas em tecido de cor diferente. Ele explicou-me que representavam os planetas, o Sol e a Lua. Depois teve umas duas horas a explicar o significado, com o seu inglês macarrônico e de olhos esbugalhados de emoção. Já ao final da tarde, sentámos os quatro no chão à porta de casa dele que era ao lado do templo, uma espécie de barraca de cimento e telhado de zinco, partilhámos uma maçã e o serão durou até anoitecer, ao som de cítara, djambé, e um gajo a cantar que parecia estar em transe- e estava, explicou-me o Brâmane quando lhe perguntei o que estávamos a ouvir.
"Monsoon Melodies" era o nome da cassete que estava a tocar e era qualquer coisa de transcendente. Essa tarde vai ficar na minha memória para sempre, e mais uma vez regressei ao hotel com a alma maior - e com a cassete na mão, que eles fizeram questão de me dar.

No dia seguinte fui com o Mr. Morais à Quinta das Especiarias. A Quinta das Especiarias parece uma floresta tropical e ao chegar dois indianos vieram pôr-me um colar de flores e uma pinta vermelha na testa, e depois começaram a atirar pétalas de flores para o ar, um ritual que fazem sempre para dar as boas vindas aos estrangeiros. Vi baunilha em flor, vi a planta do cacau, a pimenta, a noz moscada, açafrão, uma infinidade de especiarias que nunca tinha visto a não ser em pacotes.
Durante a visita guiada, encontro uma bolinha no chão e pergunto a um dos guias o que era. Não me lembro do nome, mas o guia explicou-me que era a única droga legal dali, que se mastigava e depois "viajava-se" um bocado. Ora como entretanto tinha encontrado ali uma familia inteira de portugueses que também estavam em Goa de férias, dei por mim às escondidas a apanhar bolinhas daquelas e a esconder no bolso, a planear mastigá-las assim que chegasse a Portugal ( e assim fiz, mas não só sabiam mal como não "bateram" nada!)

No último dia, fui despedir-me do pequeno Brâmane. Ele apresentou-me o seu Guru, que entretanto tinha aparecido, uma figura tão singular que tive de tirar uma fotografia: com oitenta e tal anos, sentado numa Vespa (mota), o tal lençol desta vez branco e uma camisa branca, barba até ao peito branca, pinta na testa e turbante branco também. Eu e o pequeno Brâmane trocámos moradas e mais tarde ele escreveu-me uma carta toda espiritual, a dizer para quando voltasse a Goa para os visitar, e terminando com "i pray for your sins everyday" - caraças, essa agora! Está-me a chamar pecadora!

Memórias soltas:

- o gajo da piscina do hotel me dar a dica que era solteiro e que estava na altura de casar (????)
- O Sr. da loja onde eu estoirei praticamente o meu dinheiro todo.
- A depilação com linha de cozer torcida.
- A massagem com óleos Ayurvédicos.
- A sanduiche "Club" sem picante por favor que eu não estou bem do estômago e que veio super picante porque eles não sabem o que é comida sem picante mas eu comi-a na mesma que estava cheia de fome e depois fiquei à rasca.
- A chuvada colossal que caiu estava eu na piscina.
- Andar pelos jardins do hotel à noite, a chover, de havaianas nos pés, calções e top de alças e não sentir nem um arrepiozinho de frio(tãããããããão bom, chuva morna!)
- Os esquilos e os corvos que vinham tomar pequeno almoço comigo na varanda do meu quarto.
- A malta do restaurante do hotel!
-"Oh iór portuguisi?? I can Speaki Portuguisi: Figoooo, Benn ficaaaa, Ronaldooo."
-O templo de Kali onde o brâmane apesar de simpático metia medo porque era igual ao do "Indiana Jones e o Templo perdido"- lembram-se, "Kali-ma, Kali-ma, Kali-ma..."
Os cheiros, as cores, as pessoas, os sorrisos, a bondade, a simpatia, a temperatura... TUDO!

Quero tanto, mas tanto, lá voltar!!!!!

*infelizmente as trezentas e cinquenta e quatro fotografias que tirei estão todas em papel pois foram tiradas com uma Nikon F60. Tenho muito poucas digitalizadas, mas aqui vos deixo:


A Quinta das Especiarias




A praia do Forte Aguada, que ficava à frente do hotel


Os quartos do hotel (esta tirei da net, pois não tenho digitalizada)


Eu, à porta de um Templo, descalça, e sem cabelo (tinha cometido este crime no meu cabelo comprido poucos dias antes, em casa e munida de tesoura - MEDO!)

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Para 2009...

... peço pouco para mim!

Só quero uma coisinha de nada! Simples.
Quero ganhar o Euromilhões para poder mandar tudo à fava.
Só.
Mais nada.
Se assim fôr só lá para 2019 é que me pôem a vista em cima, porque até lá vou viajar, viajar e viajar. Vou conhecer tudo o que quero conhecer. Experimentar tudo o que quero experimentar. Viver tudo o que quero viver. Vou andar 10 anos atrás do sol e do calor.
E depois sim, voltar com a minha sapiência e assentar.
Não quero luxos materiais, só o luxo de poder ajudar a minha familia e amigos. O luxo de poder pagar os problemas para deixarem de ser problemas. O luxo de poder viver e conhecer tudo o que este mundo tem para oferecer. Porque sinto-me ignorante não por não ter lido todos os livros e mais algum, não por ser péssima a matemática, não por não perceber/gostar um cú de política, mas porque a minha experiência de vida é resumida ao que até agora pude pagar. Felizmente já viajei bastante, adquiri experiências únicas nessas viagens, mas sempre limitada por ter de voltar quando a operadora turística assim exigia, deixando as minhas vivências a meio, incompletas.
A última viagem que fiz foi a Goa. Dez dias com passagem de 24 horas por Bombaim. Dez dias não é nada. Mas cada dia que passei lá me enriqueceu, isso posso garantir. O que acontece é que dez dias lá funcionam como um "teaser". Só abre o apetite de lá voltar. E eu quero muito lá voltar.
E neste momento já estou a divagar, e podia começar a contar a minha viagem a Goa e as recordações fantásticas que trago de lá mas este post não é sobre isso.

Resumindo:
Para mim, já disse o que quero para 2009.
Para vocês todos, quero que os vossos desejos se realizem. À grande.

Agora vou ali jogar no Euromilhões.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

What??

-"I love Amy Winehouse!!! You know, you look a lot like her!"
Ao que nem precisei de abrir a boca para responder, tal era a minha expressão.
- "No, no, but in a good way!" Apressou-se a corrigir.
Good way? E que way é esse? O ar de pêga abandonada? O ar de bêbada decadente? O ar de agarrada o tudo o que é psicotrópicos? A voz? A voz não era de certeza, até porque a música estava muito alta para se ouvir a minha e eu nem estava a cantar.
Fiquei na dúvida.
Acho que preferia que me comparassem a um dos gajos do coro dela.

domingo, dezembro 21, 2008

Sebastian - The Superman

This post will be written in English because although Superman can speak a little bit Portuguese, he does understand English better. My English is a litle rusty though, so don't mind the stupid mistakes.



How i met Superman.

Friday night. I was tired and not feeling very well, but a friend challenged me go out a little and have fun. I thought "Ok. Just a little. Will come back home early."

So we decided to go to Lux.

The music was great. The crowd too.

Suddenly, in the middle of all that dancing people (in the bar), a figure cought my attention. He was tall, and wearing a shirt and dark grey suit (i think!). He had also glasses on. But what really cought my attention was the way he danced. A very very cool and stylish way. It was easy to see that he was having fun, no matter what song was playing, no matter what way people looked at him.
As i was. Because he was really funny, but not in a ridiculous way. I actually told my friend to watch him for a while. And she said - "Do you know who he reminds me of? Superman!"
And it was true... the glasses, the hair, and the suit, made him look like Clark Kent.
Time went by, and suddenly, i was dancing with my mind far away from there, and heard a voice "Are you guys from here?"
And there he was. Smilling at me.
So we started talking. I told him my friend thought he looked like Superman, he laught. Asked my name and introduced himself as "Clark". But after a while he said his real name was Sebastian.
So he was from Austria, and it was his first time in Portugal. Some guy (a very clever one, i must say) recommended him "Lux". He was leaving to Brazil at 8h00 (i think).
Most of the things he told me i couldn't listen, so we decided to dance more, and talk less.
We danced, we drinked, we all went outside to get some air, talked a litle bit more untill we froze, went back inside and danced, and drinked, and dance and drinked again. Untill 6h00.
I had to leave, unfortunately. We traded emails and phone numbers and i told him to come back in the summer.

So imagine my surprise, when the day after, at dinner time, i receive a call from a strange number.
It was Sebastian. I asked him "Are you already in Brazil?"
He answered: "ahhhhh, actually no. I didn't get the plane. So now i'll be leaving tomorrow. I was hoping to see you again, what are your plans for tonight?"
" i was planning to get some rest. I am really tired, didn't sleep much, i don't think i can move!"
-"Ah, come on!!! It's my last night!!! I'd like to see you! We could go to Lux again. A friend of mine is here and i want to show him "Lux".
"What? Are you crazy? I said i can't move, do you think i can dance?"
-"You will dance!!"
So ok. I definitely can't learn from my mistakes. After last week, i thought i learned something (well actually, i learned to go out without my car).
So again, we drinked and we dance, we got to know each other a little better, then he confessed to me he didn't get any sleep for 40 hours!!! And there he was, dancing like crazy! He sure was Superman, ahahahah!
But...
After a while...
He saw the couches upstairs in the bar, and he felt like they were calling him... so he decided to sit down for a while.
The 3 of us decided to sit and i was afraid i wouldn't hang on and fall a sleep, but after 5 minutes, Sebastian thought the couch was very similar to his bed. So he laid down. And after (what, 2 minutes?) he was deeply sleeping. Everybody that passed by thought he was in a coma or something.
So that was your last night at Lisbon, Superman! Sleeping in Lux couch!
I hope you had fun, i'm sure you will at Brazil, and don't forget to send me the pictures you took with your cell phone!

Oh, and by the way,
es ist alles über die harmonie.
Ich hoffe, dass Sie das Andenken genoßen, das ich Ihnen gab, und ich hoffe eines Tages, dass ich Sie wieder sehen werde.
Kuss

domingo, dezembro 14, 2008

hoje...

... sinto-me como o tempo. Não sei se chova, se brilhe, se gele ou se mande tudo pelo ar.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Muito improvável...

... ter dormido apenas umas 3 horitas e ter me levantado ás 07h30 da manhã para ir trabalhar, a uma quarta feira.
Passar o dia a questionar-me qual a matrícula do camião que me passou por cima.
Estar no trabalho e desejar como nunca a minha cama.
Sair do trabalho às 19h30 e 15 minutos depois estar com 2 amigas a beber ginginhas de Alcobaça em copos de chocolate, mas depois a rapariga que servia simpatizou connosco e já eram copos de plástico 5 vezes o tamanho dos de chocolate e cheios até cima, pelo mesmo preço.
Ir a uma bomba de gasolina a caminho de casa, sair do carro e achar que vou morrer e que vai começar a sair ginginha pelo meu nariz, boca, orelhas, etc..., dar 4 passsos e "afinal já passou, mas será que o gajo da caixa da bomba vai reparar que eu não estou na minha sobriedade plena?".
Três horas depois de sair do trabalho chegar a casa aos tombos e a segurar-me às paredes (não só pelas ginginhas mas pelo cansaço/sono, e o facto de não comer nada há 6 horas etc...), e de garrafa da tal ginginha na mão, por estrear.
Comer uma sopa maravilhosa que fiz ao calhas.
Escrever este post, publicá-lo, e só depois me aperceber que afinal não é quarta feira, mas terça.
Publicar e voltar ao "Editar mensagem" 5 vezes(juro que nunca me tinha acontecido).
E finalmente ir dormir.
Tudo muito improvável.
Mas foi este o meu dia.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Contos IV

A chuva batia nos vidros com força, lembrando-lhe uma banda de percursão frenética. De qualquer modo o conforto das quatro paredes parecia-lhe agora desconfortável. Pensou "A vida está lá fora, a morte aqui dentro". Tirou os olhos da janela, virou costas, e lançou-se corredor fora, arrancando um sobretudo do cabide da entrada e bateu a porta da rua.
Atirou-se à chuva, à vida, aos estranhos que deambulavam pelas ruas à procura do mesmo que ela.
Lá fora, ela parou, tirou o capuz da cabeça, levantou os olhos para ver os pingos que caíam e a forçavam a piscar os olhos. Sentiu cada gota que bateu e se desfez na sua pele. Olhou em frente de novo. E andou. Andou horas, tristezas, molhas, frios.
O conforto era o mesmo que sentia no calor de casa - pouco. Muito barulho. Trânsito. Fumos dos tubos de escape. "Fumos", lembrou-se, e acendeu um cigarro. Agora levantava uma aba do sobretudo para tapar o rosto e não molhar o cigarro. Encontrou um túnel escuro e ali refugiou-se, encostada a uma parede,queimando pensamentos a cada bafo, deixando-os desfazer-se com o fumo que saía pela sua boca.
Lembrou-se de tudo o que tinha: casa, emprego, família, carro, amigos.
Mas sentia um vazio. O mesmo que ela procurava preencher com a água que caía.
Atirou a beata para o chão molhado e voltou para a chuva. E ao primeiro homem com que se cruzou agarrou-lhe o braço e perguntou "sabes o que procuro? És tu que o tens, e escondes, e guardas de mim?". O homem arrancou o seu braço das mãos dela e seguiu com ar desconfiado. Ela baixou a cabeça, e arrastou os passos.
E até hoje caminha pelas ruas, perguntando a quem calha onde está o que procura.

domingo, novembro 30, 2008

oh what a night!

Sexta feira afinal não fui ao Lux. Parece que agora, de 15 em 15 dias à sexta feira o Lux faz uma festa em que se tem de ir mascarado rigor, e portanto resolvemos mudar de planos.
Acabámos por ser 12 malucos desgovernados a invadir o lugar que eu menos esperava, apanhámos todos uma tosga descomunal, levámos com granito na testa, dançámos como se não houvesse amanhã, a Fernanda e a Sónia nem sonhavam no que se estavam a meter, mas acabaram por ter uma noite como nunca tiveram! O Miguel parecia estar possuído pelo demo, às tantas fomos dar com ele a dançar com umas cortinas (!), ele enrolava-se nas cortinas, ele tapava-se com as cortinas, ele esfregava as cortinas no peito com olhar lascivo... até que o segurança lhe foi chamar à atenção. Eu ri-me como já não me ria à muito. Quando liguei ao Du e ao Zé Pedro a dizer:" meus queridos, hoje a vossa bebé precisa de ser animada", eles levaram muito a sério. Foram me buscar, e o Zé Pedro recebe-me com um abraço e diz: "Querida, esta noite é tua!".
E foi! Todos passaram a noite inteira a puxar por mim, não me deixavam parar nem um segundo! E quando eu ía a abrir a boca, o Alexandre como se adivinhasse fez "chiuuuu" e disse "hoje não vamos falar de coisas tristes!"
Há melhor amor que este?
Meus babes, muito obrigado!

domingo, novembro 23, 2008

The Million Dollar Hotel

"Wow,
After i jumped, it ocurred to me, life is perfect.
Life is the best. Full of magic, beauty, opportunity, and television.
And surprises, lot's of surprises, yeah.
And then there’s the best stuff of course, better than anything anyone ever made up, 'cause it’s real."


A crítica foi das piores. À primeira vista parece um filme dramalhão, decadente, deprimente e parado. E se calhar é, mas não deixa de ser um dos meus preferidos.
Mas vamos lá ver:
- Realizado por Wim Wenders (sim, o gajo às vezes consegue ser uma seca!)
- A fotografia é de Phedon Papamichael ( Muito, muito bom!)
- Escrito por Bono, Nicholas Klein e Wim Wenders.
- A Banda Sonora ficou nas mãos de Bono, Brian Eno, Jon Hassell, Daniel Lanois, Hal Willner, e foi formada a MDH Band (Million Dollar Hotel Band). Sei que muitas pessoas da minha geração têm um ódio de estimação aos U2/Bono Vox, mas eu não sou uma delas, cresci a ouvi-los, e além disso nesta banda sonora acho que foge um bocadinho ao habitual dos U2, tendo muita influência de Jazz e Blues. Uma curiosidade: a letra da música mais conhecida desta Banda Sonora, a "The Ground Beneath her feet" foi praticamente retirada do livro com o mesmo título de Salman Rushdie, o qual concordou plenamente com o "plágio intencional", e inclusivamente aparece numa cena do vídeo desta música.
- As interpretações:
Temos a magnífica Milla Jovovich. Confesso que gosto muito dela, não acho que seja má actriz, pelo contrário. Aqui, também ela participa na banda sonora com a música "Sattelite of Love", na qual ela brinca com a voz provavelmente por não ter voz para cantar, e o resultado é no mínimo original.
Temos o Jeremy Davies. Sem dúvida a melhor interpretação neste filme. O personagem que ele interpreta exige uma liberdade de expressão corporal a meu ver muito díficil. Ele é Tom Tom, o meu personagem preferido deste filme.
Temos o Mel Gibson. Um Mel Gibson muito diferente do que estamos habituados.
E ainda uma série deles como Amanda Plummer,Gloria Stuart, Julian Sands, Jimmy Smits, etc...
- A estória: Pode não ser a melhor. Num hotel que fora nos seus tempos áureos de grande renome é, no momento, um edificio ocupado por indigentes, cada um mais maluco que o outro. Lá vive Tom Tom (Jeremy Davies), um personagem que é inocente e meio maluquinho e que parece viver numa realidade só sua. É apaixonado por Eloise (Milla Jovovich), um anjo caído nas ruas da cidade. Outro dos residentes é Izzy (Tim Roth), um drogado que cai do telhado e aparece morto. O agente do FBI Skinner (Mel Gibson) é quem vai investigar se tratou-se de um suícidio ou assassinato. Todos os residentes são suspeitos. Enquanto isso, Tom Tom e Eloise vão se apaixonando. Acima de tudo , é uma estória de amor. Estranha, mas bonita e tocante.
O melhor?
Para mim são os diálogos e monólogos de Tom Tom.
Aqui têm o trailer, com um som péssimo aviso já!

quinta-feira, novembro 20, 2008

Coisas que não te digo I

Sentir em silêncio

Um dos grandes problemas nas relações é geralmente, a projecção. Apaixonamos-nos por uma imagem que fabricamos na nossa cabeça e algumas dessas projecções até podem corresponder à realidade. À excepção dos sentimentos mais especiais que nascem entre pessoas que já se conhecem pessoalmente há algum tempo, mas que nunca se "encontraram" até ao dia.
Ou seja, quando conhecemos uma pessoa e dá-se aquele "click", começamos nesse segundo a projectar uma personagem, uma figura mítica até, que depois à medida que o tempo vai passando, se desfigura, revelando a (por vezes crua) realidade.
Isso já aconteceu comigo, e provavelmente com toda a gente.

Mas e se fôr ao contrário?
Pois é... agora estou baralhada.
No nosso caso, o facto de ter projectado em ti uma figura vazia, boémia, sem apegos, sem laços, egoísta, gozão e tudo o mais de negativo que há anos ouço de ti (sim, porque eu ouço falar de ti há anos embora tu só saibas da minha existência há uns 2 meses), achei que isso funcionaria como uma vacina contra ti.
E naquela noite em que tão improvávelmente nos conhecemos (nunca tal coisa me tinha passado pela cabeça), estive sempre confiante. Sem problemas! Ah queres o meu telefone??? Toma lá pá, eu sou ninja e portanto imune a qualquer charme que tentes emanar para os meus lados.
Na verdade o nível alcoólico era tal que achei que nem sequer tinhas guardado o meu número, e que pronto tínhamos trocado umas palavras mas nunca mais te ía ver na minha vida pessoalmente. Afinal naquele louco aniversário do Lux, eu devo ter "conhecido" e trocado palavras com umas 20 pessoas que nunca tinha visto antes! Até houve um rapazinho (bem engraçado, por sinal) muito bêbado mas muito querido que, ao fim de uma meia hora de troca de palavras entre as quais "tu és linda" que ele repetiu umas 10 vezes, me deu um beijo na boca, ao que reagi com um "Então adeus" e fui-me embora e lá está, nunca mais o vi.
Mas não. Cheguei a casa às 8h30 e tinha uma chamada tua não atendida.
Ao que respondi com uma mensagem nada simbólica "Então, essa ressaca, tão grande como a minha ou pronto para outra?"
E assim começou. Troca de mensagens e eu sempre a pensar:"Eu sou ninja. Eu sei bem que terreno estou a pisar"! É que nestas coisas, eu sou um bocado como o outro "some people ask why, i ask why not". E ao fim do primeiro encontro, no qual bebemos um copo e conversámos animadamente, quando me deixaste em casa, antes de fechar os olhos, perguntei a mim mesma claramente "Why not"?
Afinal não me envolvia com ninguém há quase 2 anos, porque não? Ele é um gajo que consta ser pouco dado a compromissos ; Eu ainda não me apetece muito me envolver assim tanto também, portanto why not?Eu já sei algumas coisas sobre ele, ele nada sabe de mim, so why not?
E as coisas foram se proporcionando. Mal sabia eu da minha capacidade sobrenatural de me enganar a mim própria.
Então comecei numa defesa obsessiva, a gelar que nem pedra cada vez que eras carinhoso. Quando me leste um poema de amor e me perguntaste o que eu achava, respondi-te que era bonito, mas uma anulação da pessoa que o tinha escrito. Quando disseste que gostavas de mim não te respondi... quando tentavas te aproximar não fisica mas emocionalmente eu quase me desligava... comecei a perceber que estava presa numa carapaça que eu própria tinha criado, e provavelmente é essa a ideia que tens de mim hoje: um corpo, nada mais. E deixaste de te aproximar. E deixaste de me ler coisas. E começaste-te a afastar... até que eu já me sentia uma boneca. E começou a doer. A doer muito. E apeteceu-me tanto dizer-te esta não sou eu! Eu na verdade apaixonei-me por ti cada vez que me falaste ao ouvido, cada vez que me tocaste, cada vez que me beijaste, cada vez que me procuraste. Cada vez que pediste a minha opinião sobre a última coisa que tinhas feito, sobre aquilo que estavas a fazer, sobre aquilo que ainda ías fazer. Cada vez que me abraçaste e me beliscaste as orelhas como tens a mania de fazer.
E ontem fui-te ver. A ti, mais às dezenas pessoas que estavam contigo. E fui-me embora sem te dizer nada. Não te apercebeste, mas fui me despedir. Porque se alguma vez podia ter sido alguma coisa para ti, hoje sinto que sou nada.

Whatafu**!?!

Estranho estranho é estar em casa de um casal de amigos de longa data que tiveram há 6 meses um bebé (lindo de morrer, diga-se!), ir ao PC deles fazer uma busca de imagens no google de qualquer merda começada pela letra "P", e no historial aparecer logo: "Pamela Anderson breastfeeding".

WHATAFU**!?!

terça-feira, novembro 18, 2008

Garden State


É, sem dúvida um dos meus filmes preferidos.

Zach Braff, além de actor, produtor e escritor é também realizador e aqui saiu-se bem. O actor da série "Scrubs" viu este seu filme ser nomeado para o "Grand Jury Prize" no festival Sundance.
Foi filmado em 25 dias, e conta com a presença, para além do próprio Zach, de Natalie Portman, Peter Sarsgaard e Ian Holm.
Não vou contar a estória do filme, mas cada personagem é deliciosamente estranha.
Só não gostei muito do fim, confesso.
A Banda Sonora é fantástica e ganhou o Grammy "Best Compilation Soundtrack Album for Motion Picture, Television or other Visual Media", com Frou Frou, The Shins, Zero7, Thievery Corporation entre outros.


Vale mesmo a pena ver.

Um conselho: Deve ser assistido na companhia de grandes amigos.

sábado, novembro 15, 2008

Dúvidas Alcoólicas

Porque será que, às 19h30 da noite de um Sábado, cada vez que me sirvo de Lambrusco, metade cai para fora do copo?
Será que é por estar nisto desde as seis da tarde?
E se ainda nem começou o jantar, como será a minha pontaria lá para as 23h?
Como vou saber qual é o meu quarto quando chegar a casa?
Será que na eventual agonia, saberei que tenho de ir até ao fim do corredor para chegar à casa de banho ou será que acabo a entrar no quarto da Fernanda e a vomitar sabe-se lá onde (adianto-me já com um pedido de desculpas se isso acontecer amiga!)

Bom, copo vazio.
Vou ali pintar de tinto a toalha da mesa.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Esta semana trezandou a morte... não lido bem com ela, nunca lidei. Foram 3 mortes não de pessoas próximas, mas de pessoas com importância para pessoas que me são próximas, e eu não consigo ficar indiferente.
Encontrei uma amiga que vejo basicamente 1 vez por ano, se tanto, a Carla Ascensão. Quando ela me viu, estendeu os braços e deu-me um abraço desesperadamente necessitado. Visivelmente abatida, a Carla falou-me da sua colega de trabalho e amiga Rute Cruz que morreu penso que foi no dia 6. Como não a conhecia não me atingiu. Mas ter visto a Carla tão triste tocou-me.
Não lido bem com a Morte.

Na verdade, não lido bem com nada que seja inevitável.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Seems i have to go, but still...

All I know is that you're so nice,
You're the nicest thing I've seen.
I wish that we could give it a go,
See if we could be something.

I wish I was your favourite girl,
I wish you thought I was the reason you are in the world.
I wish my smile was your favourite kind of smile,
I wish the way that I dressed was your favourite kind of style.

I wish you couldn't figure me out,
But you always wanna know what I was about.
I wish you'd hold my hand
when I was upset,
I wish you'd never forget
the look on my face when we first met.

I wish you had a favourite beauty spot
that you loved secretly,
'Cos it was on a hidden bit
that nobody else could see.
Basically, I wish that you loved me,
I wish that you needed me,
I wish that you knew when I said two sugars,
actually I meant three.

I wish that without me your heart would break,
Yea, I wish that without me you'd be spending the rest of your nights awake.
I wish that without me you couldn't eat,
Yea, I wish I was the last thing on your mind before you went to sleep.

Look,All i know is that you're the nicest thing I've ever seen
And I wish we could see if we could be something
Yea, I wish we could see if we could be something

* Kate Nash - The Nicest Thing
* E obrigado Nim.
E pronto.
E o Gabirú que andava a rondar antes de conhecer o "palerma" (private joke) que me está a dar dores de cebeça, resolveu do nada aparecer e pavonear-se à minha frente, a ver se coisa pega. É que, quando eu até poderia eventualmente, quem sabe, estar até mais ou menos interessada em conhecer, digamos, melhor esta ave rara, este calou o bico e sumiu-se (ainda não percebi se em boa ou má hora.)
Agora que estou tipo a tentar me aguentar à bronca em cima de uma gelatina gigante (tremida, leia-se), o Gabirú parece que sentiu o faro e reaparece.
Ah e tal e diz que eu sou um fenómeno. Eu digo-lhe que já me chamaram de muita coisa, mas fenómeno era o primeiro. Ele responde-me com beicinho - És má!
Eu dou um gole no meu café e digo - Maquiavélica até. Nem imaginas.
Ele convida-me para jantar no Sábado. Eu equaciono: gajo muito giro com tudo no sítio menos o cérebro ou, gajo que tem a sanidade mental completamente fora do sitio e que ainda por cima faz questão de me deixar também sem sanidade mental?
- Ok, jantar no Sábado então, respondo-lhe.
- Podes me ir buscar a casa? (tenho feito isso muito ultimamente... sou uma senhora gaja moderna)
-Posso pois.
- e estou seguro? não me vais raptar nem nada?
- hum... ( hesito). Sempre posso te largar ali no Conde Redondo... logo vejo.
Ele:
- ( cara de ponto de interrogação)

terça-feira, novembro 11, 2008

Desculpa...

Desculpa...


Mas já chega.
Melhor, não chega.
Quero mais para mim.

Não quero ar a preencher-me.
Quero substância. Dádiva. Orgulho naquilo que temos.
Quero dizer "É ele... é ele que, mesmo que efemeramente,
está aqui dentro".
Sei que se te abraçar com força não consegues respirar.
Mas quero ansiar pela hora que marcaste comigo.
Quero contar os minutos para o teu telefonema.
Quero não ter vergonha de me preocupar contigo.
E quero ser tua amante, namorada, mãe, amiga e irmã.
E tenho medo. Medo de querer tudo e depois não querer nada.
Medo de querer demais, e ficar sem nada.
E quero me sentir confortável connosco. Comigo. Contigo.
Com isto.
Quero ser mais para ti. Muito mais.
Merda de insatisfação.
Quero que sintas a minha falta.
Quero que penses para ti " ah, se estivesses aqui agora..."
E quero que contes comigo.
Quero-te todo.

Prefiro o nada à metade.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Contos III

Fantasma:
- Então e o outro...? Tens estado com ele?
Eu:
- Há uns dias que não sei nada dele... a última vez que tive notícias dele mandou-me uma mensagem para o telemóvel a dizer "Tu vicias!". Isto já foi há uns 3 dias, desde então nada.
Fantasma:
- "Tu vicias!"? Foi o que ele disse? E ainda nem esteve dentro de ti...

quinta-feira, novembro 06, 2008

Gosto/Não gosto

Quem me conhece bem, a fundo mesmo, sabe que eu tenho a mania irritante de racionalizar tudo. Penso que será uma defesa em resposta à minha fobia do descontrolo. Ao meu medo de enlouquecer e perder a noção das coisas. Detesto dilemas e confusões, e gosto de clareza e sentir que a minha mente é, para mim pelo menos, como um copo com àgua - assim transparente.

Como neste momento estou a viver não sei bem o quê, o que me leva a estar constantemente a racionalizar, a explicar, a desculpar ou não, a dar satisfações a mim própria, resolvi dentro da minha racionalização da coisa, pesar aquilo que gosto e o que não gosto.
Não para chegar a alguma conclusão, porque não vou chegar, mas apenas para traçar dois caminhos diferentes.

Gosto de ti, mas não gosto da ideia de te amar. Gosto da tua voz, das tuas expressões e de algumas coisas que escreves. Detesto o que algumas pessoas pensam de ti. Adoro estar contigo, mas detesto que os meus amigos achem que estou a cometer um erro crasso. Gosto da tua pessoa, da tua personalidade, mas detesto pensar que talvez sejas um pouco vazio, por não conseguires criar laços. Gosto por outro lado, do teu desprendimento e da fronteira que criaste para a tua liberdade, mas detesto lembrar-me que mesmo neste momento poderei não ser a única, embora aja como se isso não importasse.
Adoro que a tua cabeça seja uma centrifugação tresloucada de ideias e de criatividade, que te metas em mil projectos de uma vez, mas não gosto que te esqueças de ti às vezes. Adoro que cada vez que estou contigo me faças sentir um pouquinho parte da tua vida, mas detesto ficar sem saber de ti por vezes mais que três ou quatro dias - nem um telefonema, nem um sms.
Também não gosto de estar sempre a desculpar a tua ausência porque estás "sempre muito ocupado com as mil coisas em que te metes."
Gosto das tuas maluquices, como a de gravares num pequeno gravador "a Latonero é palerma, mas eu gosto muito dela". E ao mesmo tempo detesto, porque me desarmas.
Não gosto de saber que estou com uma pessoa que tem fama de mulherengo, mesmo tendo consciência disso desde o ínicio.
Adoro quendo lês na cama e fazes questão de o fazer com a minha cabeça no teu ombro. Adoro os teus beijos e o teu toque, mas odeio a ideia de os partilhar. Adoro que não acordes com o telefone a tocar, nem com a tua campaínha a tocar, nem com carros a buzinar à tua porta, mas que abras os olhos esbugalhados automáticamente se saio da tua cama. Gosto de te ouvir a trabalhar (a ler alto o que estás a escrever, a ler alto os teus raciocínios). Detesto que me apeteça te ligar mas não o faço porque não sei se podes/queres/apetece-te atender.
Gosto de ouvir falar bem de ti. Detesto ouvir falar mal de ti. Detesto quando te mando um sms e tu não respondes no próprio dia. Detesto ainda mais quando finalmente me respondes e eu fico com a estúpida sensação de que "afinal, sou feliz".
Detesto ter-me metido nisto com o objectivo de não me prender, mas sentir-me agora um boomerang - ora me atiras para longe, ora me agarras, para depois me atirares de novo.
Gosto que não me faças promessas - mas detesto saber que é por pura honestidade.

Contos II.1

Mas e se, no meio de tudo isto, eu estiver inadvertidamente a nadar para mais perto...?