quarta-feira, outubro 29, 2008

Enquanto a dor te varre,
para ti não tem nenhum sentido...
Cada emoção tua se foi,
e nem foi assim tão divertido.

Mesmo assim cá estou.
Enquanto o teu mundo se afunda.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Contos II

Sabes há quanto tempo eu não estava com alguém, assim? Nua? Há quase dois anos. É verdade. E aqui estou. Despida de roupa e de laços e de sentimentos. Quando estamos tanto tempo sem nos envolvermos com alguém, existe a ideia de que quando isso voltar a acontecer que será porque nos apaixonámos. Mas este não é o caso. Sim, uma vez que não havia sentimentos nem pudores no caminho, poderia já o ter feito há mais tempo, mais vezes, com qualquer ou até quaisquer outras pessoas. E no entanto estou aqui, com a pessoa que menos confiança inspira, com uma pessoa que gosta de afirrmar bem alto que não sabe nem quer saber o que é o amor. Com uma pessoa que tanto pode estar agora aqui comigo como daqui a uma hora estar a fazer exactamente o mesmo com uma outra fulana qualquer. Uma pessoa que tem a fama de, passo a expressão, "comer tudo o que mexe".
Então quem me é mais próximo pergunta-me: Porquê esse gajo? Não vale nada!
A verdade?
Eu não queria ser escolhida. Queria ser eu a escolher, e escolhi-te, qual predador escolhe a sua presa. Não quero laços. Não quero ter trabalho, nem perder tempo. Dois anos de celibato é muito tempo, mas não vou enganar ninguém com promessas falsas de amor só para quebrar esse celibato. E tu, és fácil. És garantido. E divertido, fazes me rir até nos momentos em que não é suposto rir. Fazes me encarar tudo isto com leveza, sem preocupações. Aqui, ninguém vai sair magoado, porque por mais que os nossos corpos estejam colados, estamos a oceanos de distância um do outro.

Contos I

- Vamos ao Chiado comer castanhas.
- Desculpa!?Ao Chiado comer castanhas? Que raio de encontro é esse?
- Está frio. Podíamos ir dar uma volta ao Chiado, comer as primeiras castanhas do ano, e depois podíamos ir beber um chá a qualquer lado...
-Não gosto de chá. Tinha outras ideias mais... quentinhas... para o nosso encontro...
- Ehr... podes sempre beber um chocolate quente. Sei de um sítio que tem lareira e empresta umas mantas... podíamos nos aconchegar enquanto bebemos as nossas bebidas quentes...
- Hum... que romântico... (mas será que o meu decote não está suficientemente sugestivo para ele? Se calhar é gay...)
- Vamos andando a pé. Está frio, mas está sol. E daqui a nada o sol vai se pôr. Assim, antes das castanhas e das bebidas quentes, passávamos no Adamastor e víamos o pôr-do-sol!
- Ops, desculpa, é o meu telemóvel, tenho de atender. Estou? Oláááá´... estás bom? Huh? Não, nada, vim só dar uma volta ao Chiado. Quando, agora? Sim. Em tua casa? Ok, vou já. Ihihihih, porque perguntas? Tenho um vestido curto... ihihihih... gostas? Então até já!
Desculpa, tenho de ir embora. Fazemos isto das castanhas noutro dia, pode ser? Beijinhos!
- ...?...


- Boa tarde. Queria um pacote de castanhas, se faz favor...

terça-feira, outubro 21, 2008

«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!...»


Florbela Espanca
É um dia triste...
Cinzento.
Sem luz.
Sem conforto.
Um dia que por mais que consuma,não sacia.
Um dia frio.
Sem achar calor em nada.
Um dia que nem os sonhos me valem.

Dia que não te vejo não é dia...

A Praia

Confiem em mim...
...É o Paraíso.
É aqui que os ávidos se alimentam.
Pois a minha geração circula pelo Globo à procura de algo que nunca experimentou antes.
Por isso, nunca recuses um convite.
Nunca resistas ao desconhecido.
Nunca falhes no civismo.
E nunca prolongues as "boas-vindas".
Mantém apenas a mente aberta e absorve a experiência.
E se doer...bom, provavelmente valerá a pena.
Nós desejamos, e nós sonhamos,mas nunca acreditamos que algo nos vai acontecer,não como nos filmes.
E quando isso acontece nós esperamos que seja mais visceral, mais real...
...Eu estava ansiosa por ser atingida.

Ainda acredito no Paraíso.Mas pelo menos agora sei que não é um lugar que se possa procurar,porque o que importa não é onde se está, mas sim o que se sente por um momento na vida.E se encontrarmos esse momento...
...ele durará para sempre!

Os homens e as mulheres

Quero primeiro que tudo, tentar moderar o que vou dizer.
Não quero ferir susceptibilidades, cada um sabe o que vale (ou não).Cabe por isso a cada um fazer uma pequena avaliação introespectiva, vocês senhores que lêem estas linhas com curiosidade.
Cabe também a vocês olhar à vossa volta com olhos de ver, de avaliar, de medir, de discernir.
Venho deixar palavras sobre a minha visão, um pouco a brincar, mas como dizia o outro "a brincar a brincar....".
Não venho falar da minha experiência nem da experiência de outros, mas do que observo no global (comigo incluida também, claro.)
Já devem ter ouvido falar na almofada que os líderes em invensões inúteis, os Japoneses, inventaram que tem a forma de um ombro masculino, com o bracinho para carinhosamente abraçar a companheira durante a noite e tudo (podem espreitar em http://www.armpillow.com/).
Agora pensem nas bonecas insufláveis. Já existem bonecas insufláveis cujo material é practicamente idêntico, em termos de textura e maleabilidade, a um ser humano.
Agora...pensem nos avanços da robôtica. Onde esta vai chegar em poucos anos. Dêem largas à imaginação.
Agora juntem tudo.
Já estão assustados?
Eu trato disso.
Imaginem que os nipónicos(ou melhor, nipónicas) se lembram de inventar um boneco homem, com o(s) tamanho(s) em real, feitos do tal material idêntico ao de um ser humano, com a ajuda da robôtica;Este novo brinquedo, poderia ser programado antecipadamente para abrir a boca apenas para dizer o que a sua feliz proprietária desejasse.E para fazer também o que ela quisesse,eheheh.Ao mesmo tempo este brinquedo, que não necessitaria de ser alimentado a não ser a corrente eléctrica, estaria programado para cozinhar, lavar loiça, aspirar casa, limpar retretes (dos pingos da proprietária, por sinal, visto que este não possuiria necessidades fisiológicas!!!),arrumar a casa, passar roupa a ferro, tomar conta de crianças, trabalhar que nem um doido para ao fim do mês levar um bom ordenado para casa, para ajudar com os (imprescindíveis) gastos da mulher, e no fim de isto tudo, dar as boas vindas á sua "dona", quando esta chegasse a casa, com um largo sorriso, um abraço caloroso, e uma beijoca "daquelas".
Claro que, este "boneco" nunca trairia a sua proprietária, a não ser que viesse com defeito de fabrico, mas sendo assim também podia-se reclamar e trocar por um novo.Imaginem agora os modelos disponíveis no mercado: o modelo "Brad pitt"... o modelo "Jude law"...enfim, ao gosto da freguesa.
Agora imaginem que esta invenção realmente aparece no mercado nos próximos anos...Se alargarmos a nossa imaginação, podemos ter uma visão tipo "Mad Max feminina":Rapidamente os "machos" deste mundo entrariam em extinção, visto a sua única utilidade ser a de reprodução (um robô ser capaz de fecundar uma humana será pedir demais...).
Seriam criados campos de reprodução. Só aí existiriam humanos, do sexo masculino.Por esta altura, os senhores já devem estar assustados.
O que acham?Acham que as mulheres deste mundo comprariam um exemplar cibernético destes?
Não?
Pois eu como mulher não tenho dúvidas que sim.Acham que, a mulher que todos os dias apanha do marido, não compraria?E a mulher que todos os dias tem de aturar o marido bêbado?E a que tem um inútil que chega a casa, senta-se no sofá a ver o futebol, e ainda "caga" sentenças?E a mulher cujo marido raramente aparece em casa, a não ser para lavar a roupa que ainda por cima vem manchada de batôn de outra mulher?Ou aquela que trabalha, cuida da casa, dos filhos, e ainda tem de cuidar do marido como este fosse mais um filho que cresceu até aos dois anos e aí ficou?E aquela que é ainda solteira, porque não está para nada disto?Acham que não compraria um "Brad Pitt" multifunções?
Desenganem-se amigos.
Esta realidade, por mais absurda que pareça, e mesmo sendo apenas um produto da minha imaginação mais sádica, não está tão longe quanto isso. Ora visitem http://www.realdoll.com/.
Por isso...Olhem à vossa volta...mas com olhos de ver, de sentir, de analisar.Pensem bem no vosso papel.E mais do que isso......lembrem-se da importância e da falta que vos faz a mulher.No que seria a vossa vida sem elas.
Que cada um enfie (ou não) a sua carapuça.
Trocam-se olhares cúmplices.
Dão-se e largam-se as mãos.
Logo se desfazem os beijos mal começamos a dá-los.
Rasgamos abraços e eu digo:- Podias ser um assassino...
- e depois murmuro-te ao ouvido,muito baixinho: - mas sem ti, não acredito em mim.
O amor é uma merda, digo eu, e depois arrependo-me.
Fraca perfeição a da Natureza.
Uma bela ideia com lapsos pensei, e sorri.


*adaptado de excertos soltos de M.E.C.
...É estar num auge
De não se sabe bem o quê
Cerrar os olhos em pausa
E ainda assim se vê.
Vê turbilhões de cores
Em movimentos de luz
Perder a noção do tempo
Por um Deus que me seduz.
E em movimentos subtis
Tactear o Paraíso
E sentindo tudo, delirando,
Minha boca traça um sorriso.
E são choques nos meus dedos
Ao te tocar, levemente
E subir aos céus...
...Esquecer tudo e toda a gente.
Mordo o lábio num reflexo
E de repente já não sou eu,
Perdi-me algures...
...Num labirinto que não é meu.

03.04
"...não estou tão mal que te necessite, nem tão bem que te aguente..."

*Agustina Bessa-Luis

Os pseudo-qualquercoisa.

Estou farta dos pseudo-qualquercoisa...e abundam por aí... quase ninguém é o que é na verdade. Toda a gente tem necessidade de mostrar aquilo que não é. Já não há pessoas...há pseudos-qualquercoisa. Ninguém diz o que sente...ou melhor, não é obrigatório dizer o que se sente, pode-se ficar em silêncio...manter segredo...mas os pseudo-qualquercoisa insistem em dizer aquilo que não sentem. Roubam sentimentos e frases bonitas a outros, mas sem saber o que realmente querem dizer.Mostram um invólucro que nada tem a ver com o conteúdo. Têm atitudes forçadas, calculadas, esquematizadas... acção/reacção... disso percebem os pseudo-qualquercoisa! E por isso não são o que são, mas o que os outros gostariam que fossem. São tristes seres. O ser genuíno é proibido...não podemos dizer isto senão magoamos fulano; não podemos fazer aquilo senão somos mal-vistos.Não sei bem o que sou, mas digo o que penso, faço o que digo. Que se lixem as susceptibilidades!
Instinto. Espaço. Reserva. Sobrevivênvia. Evolução. Lógica. Tempo. Método. Início. Razões. Percepções. Movimento. Elementos. Questões. Sistemas. Aproximação. Poesia. Fluxo. Concreto. A vida continua. Realização. Certeza. Viajar. Caminhos. Adaptação. Extremos. Expressão. Revolução. Calma. Ultrapassar. Resposta. Complemento. Planeado nas estrelas. Destino. Oceanos calmos. Objectivos. Dádiva.
Silêncio...

...por onde vai o meu caminho, é o caminho da minha vida, é o caminho dos meus sonhos.
Sendo o que sinto, sendo o que sinto, que a luz me acompanha.

De volta aos "Porquês"

Confesso que estou um pouco sem criatividade para escrever, principalmente sobre factos ou opiniões minhas.Ontem reflecti sobre isso e a conclusão a que cheguei é que estou a passar pela fase dos "porquês".O pior é que eu sempre ouvi dizer que esta fase acontece por volta dos 7 anos de idade.Ora não sei se passei por essa fase aos meus 7 anos ou não (tenho de confirmar com os meus pais), mas o que é facto é que 20 anos depois voltei aos porquês. Mas desta vez não é bem o porquê das coisas...é mais o "será que".Fui assaltada por uma onda de relatividade que me complica as ideias.De repente, não há absoluto.Não há certezas nem convicções.Eu não tenho a certeza de nada.Dou por mim a questionar e a relativizar tudo, do mais complexo ao mais insignificante. Será mesmo tudo o que parece?E eu detesto falar sobre o que não sei, prefiro ficar calada.Então acabo por falar mais de emoções/sensações. Se físicas, ainda melhor, porque são mais fáceis de abordar.Dou por mim a começar a maioria das minhas frases com "eu sinto" ou "eu penso", muito mais que "eu sei".E isso incomoda-me. Faz-me sentir que nada sei.Cheguei também à conclusão que esta minha incerteza de tudo se deve principalmente ao conhecimento e experiência de vida (por mais pequenos que sejam) que fui adquirindo ao longo da minha vida.Coisas que me ensinaram, coisas que vi, coisas que senti, coisas que aprendi sozinha.Quanto mais se sabe mais complicado fica gerir toda essa informação.De repente, parece até que tenho uma ausência brutal de modéstia, afirmando que sei mais que os outros. Mas não foi isso que eu disse.Saberei talvez até menos que a maioria das pessoas da minha idade, a diferença é que talvez eles saibam gerir essa informação,e eu estou com dificuldades.São centenas de peças de Puzzle que não consigo encaixar umas nas outras!!
Ufa!! Espero que seja apenas uma fase......porque assim não se acredita em nada, e isso é terrível!
The American said: "We have George Bush, Stevie Wonder, Bob Hope, and Johnny Cash."
Portuguese said: "We have José Sócrates, no wonder, no hope, and no cash."

PROMESSAS FALSAS...

- Nunca mais me encho de frutos secos/bolachas/aperitivos ranhosos da matutano/gelado/outras porcarias que tais em vez de jantar.
- Nunca mais cedo à tentação.
- Nunca mais bebo álcool.
- Nunca mais lhe falo na vida!!!
- Nem lhe telefono!!
- Nem lhe atendo o telemóvel!!
- Nunca mais saio à noite.
- Nunca mais olho para gajo nenhum.
- Nunca mais gasto dinheiro em roupa/perfumes/sapatos/e outras futilidades.
- Nunca mais escrevo neste Blog!
- Nunca mais beijo boca alguma!
Deixei de saber o que fazer às minhas mãos
quando deixei de te tocar...
Uma ideia peregrina surgiu do nada na minha cabeça...podia haver Ducolax para o cérebro...(trânsito intestinal/trânsito cerebral ; para esvaziar a merda, tanto dos intestinos, como do cérebro...)
Tenho me questionado frequentemente sobre a ilusão que cada um de nós tem da nossa imagem.Porque basicamente conhecemos-nos a nós próprios pelo que sentimos e pensamos e isso geralmente está oculto aos olhos de quem nos rodeia.Em contrapartida, para quem nos rodeia, nós somos as nossas acções, as nossas atitudes.Eu penso que sei o que sou através do que sinto e penso. No entanto sou duas pessoas: uma é aquela com quem convivo 24 horas por dia, a outra aquela que convive com várias pessoas ao longo do dia.Daí que quanto maior a confiança que temos em alguém, mais esse alguém vai aprendendo sobre nós.Apercebi-me disso porque ás tantas questionei-me se será que alguma vez amei alguém verdadeiramente.Para já porque cada um encara o amor à sua maneira; além disso o amor que dei de certeza que não terá sido o mesmo que o “objecto amado” recebeu…até lá chegar, á cabecinha e ao coração dele, sofre variadas mutações…não sei se me estou a explicar bem.Por exemplo: tenho uma amizade de 15 anos com duas pessoas. A partilha, a preocupação, o entendimento, a confiança, o interesse, e tantos outros sentimentos, têm proporções completamente distintas em comparação com outras pessoas, que passaram ou até permanecem na minha vida, mas não há tento tempo.Não terá existido ainda NINGUÉM (fora a estas duas amizades de quinze anos e a família, claro), por quem eu me preocupe tanto. Que eu ouça com atenção verdadeira, com interesse genuíno. Que eu entenda e respeite, seja qual for, a sua acção. Que eu saiba claramente que conselho dar. Que eu saiba quando precisa de ajuda e quando ajudar. Que eu não condene, e que simplesmente aprecie tanto as alegrias quanto chore as tristezas.Isso sim, é amor. Verdadeiro.Quinze anos…foi precisa uma evolução contínua na amizade para deixar o amor de alguém me atingir…e em consequência deixar o meu amor chegar a alguém.Tanto tempo!!Por isso… penso que me devo ter apaixonado umas quantas vezes na vida…mas amar mesmo, cada vez tenho mais dúvidas!Para vocês do Quarteto Maravilha!
Gosto de estar contigo...
e apesar de ser estranho, gosto de não estar sempre contigo...
Gosto que apareças do nada... sem aviso, de surpresa.
Gosto de achar que já te esqueceste de mim, quando no fundo sei que acabas por voltar.
Gosto de saber das tuas loucuras e não me importar...
E gosto de saber que, ao fim de há já alguns anos, é aos meus braços que gostas de voltar, depois de meses a andares sem rumo,e em loucura desenfreada e libertina.
Gosto de saber que, se não sou "o" teu porto seguro, pelo menos sou um deles, onde voltas para te acalmar.

The Cosmic Place

Existem muitos lugares que me tocam , então na Serra de Sintra são mais que muitos.
Vou falar de um deles. O Cosmic Place. Pouca gente conhece. Um spot que felizmente ainda não é muito conhecido.
Descendo uma rua íngreme, no final, há uma curva murada. Quando se está a descer de frente para o muro, pode-se ler, pintado com tinta branca, no muro de pedras rudimentares e com musgo à mistura, "Cosmic Place", com uma seta a indicar a direcção a seguir à curva. Segue-se por essa estrada, também murada, de um lado e doutro, de um só sentido, e estreita, e se olharmos para o chão de alcatrão, começa-se a ler, também a tinta branca, primeiro "Sol", com um Sol desenhado e depois, à medida que se vai avançando,Mercúrio, Vénus, Terra , Marte, Júpiter , Saturno, Urano , Neptuno, e finalmente Plutão, e chega-se de repente a um lugar com uma das mais belas vistas da Vila de Sintra. Aí, num muro do lado direito da estrada, pode-se ler:
COSMIC PLACE
Why Cosmic??
Kissing you is like travelling in a supersonic Space rocket.

Não está assinado.

Cobardia

Eu queria não ter medo de te perguntar
Tudo o que te quero perguntar.
Queria não me sentir presa e estática
Pela insegurança
E calar a tua boca com a minha.
Queria ter força para soltar os braços,
Para rasgar abraços,
Tantos quantos te quero dar
A cada minuto ao teu lado.
Queria perder as minhas mãos no teu cabelo,
Colar o teu ouvido ao meu peito,
E saciar as saudades.

Mas sou cobarde.
Para quem como eu é mulher, já deve ter ouvido "piropos" de toda a espécie desde que ganhou maminhas e rabiosque... então para quem morou ou mora em Lisboa, como no meu caso, e frequentou desde essa altura os vários transportes, deve ter ouvido as coisas mais incríveis!Eu já ouvi desde o assobio, ao "Borrachinho", ao mais hardcore que nem vou referir... nessas alturas a vontade é de ser um desenho animado e ter no bolso um martelo em forma de bigorna e esborrachar o dono daquele palavreado de forma a parecer passado a ferro.Mas depois à aqueles que metem conversa mesmo... ou tentam...Para eles, mas especialmente para as raparigas que adoram a originalidade destes trolhas, aqui vai uma sugestão de respostas:

Piropo: Tens uma boca! Deve ter um gostinho... Posso provar?
Resposta: Podes... (cospe no chão e vira as costas)

Piropo: Se tivesse uma mãe como tu, mamaria até aos 30 anos.
Resposta: Se eu tivesse um filho como tu mandava-o para o circo!

Piropo: Meu Deus, não sabia que as bonecas andavam!
Resposta: E eu não sabia que os macacos falavam!

Piropo: Olá, o cachorrinho tem telefone?
Resposta: Tem, porquê? A tua mãe está com o cio?

Piropo: Este lugar está vago?
Resposta: Está, e este aqui onde estou também vai ficar se tu te sentares aí.

Piropo: Entã, o que fazes da vida?
Resposta: Eu sou travesti.

Piropo: Será que eu já não te vi em algum lugar?
Resposta: Claro! Eu sou a recepcionista da clínica de doenças venéreas... não te lembras?

Piropo: Nós já não nos encontramos em algum sí­tio antes?
Resposta: Já e é exactamente por isso que eu nãoo vou mais lá.

Piropo: Vamos para a tua casa ou para a minha?
Resposta: Os dois. Tu vais para a tua casa e eu vou para a minha.

Piropo: Eu queria ligar-te, qual é o teu telefone?
Resposta: Está na lista.
Réplica: Mas eu não sei o teu nome.
Resposta: Também está na lista, na frente do telefone.

Piropo: Ora, vamos parar com isso, nós os dois estamos aqui nesta discoteca pelo mesmo motivo.
Resposta: é, para engatar mulheres...

Piropo: Eu quero dar-me por completo a ti.
Resposta: Sinto muito, eu não aceito esmolas.

Piropo: Se eu pudesse ver-te nua, eu morreria feliz.
Resposta: Se eu pudesse ver-te nu, eu morreria de rir.

Piropo: Estás à procura de boa companhia?
Resposta: Estou, mas contigo por perto vai ficar muito mais difícil.
Sexta feira passada fui sair com umas amigas, "girls only", coisa que eu já não fazia há bastante tempo. Uma vez que ultimamente não tenho saído muito, fui à aventura sem saber sequer muito bem onde me ía meter."Vamos para o Delmare... há lá hoje uma festinha bem gira. É organizada pelo Valter."-Diz uma das minhas amigas.Pouco ou nada sei desse Valter, a não ser que é modelo, giraço, com corpalhão, e que já foi namorado da Merche Romero.O Delmare eu conhecia... de dia! Já lá tinha ido à praia e tinha adorado o bar, tem uma decoração muito Zen, muito praia, muito a minha cara.- "Vamos!!"Lá fomos nós, todas entusiasmadas.
Eu, fui com um vestidinho beje com bordado inglês na saia, chinelos rasos indianos, e uns colares de sementes ao pescoço. As minhas amigas íam uma de mini-saia, altíssima, com um pernão invejável. Outra, que até é da minha altura pôs também uns tacões e ficou logo 10 centímetros mais alta que eu. Além disso é linda de morrer (sabes que és amiga!!!). A terceira, além de vistosa, é magra, ou melhor está perfeita para a altura que tem (também alta), e tem um peitão que sobressaía no decote que trazia e que deixava qualquer um a babar-se com olhar fixo.
Chegámos ao Delmare. Eu, senti-me numa creche. Poucas pessoas tinham mais de vinte anos, e as que tinham ou eram aspirantes a futebolistas, ou tentavam enganar alguma menina mais desatenta tentando imitar futebolistas.Quem me conhece sabe que não é a minha praia, muito menos a minha onda. Mas tudo bem, estava com as minhas amigas e tal e a música não era excelente mas dava para dançar. Só que, como eu não me estava a sentir ambientada naquela gaiola de aves raras, entretive-me a observar, principalmente as investidas dos abutres que pavoneavam à volta das minhas amigas, e as figuras ridículas que faziam. Fartei-me às tantas dos encontrões e da pitalhada toda que por ali estava, mais a Merche Romero armada em sereia com cabeleira loira até ao rabo e bikini a dançar em cima de uma coluna e fui até à praia descansar um pouco a cabeça e os ouvidos, enquanto pensava "que coisa tão mal feita... festa privada e tal, supostamente, porque é que está esta criançada toda aqui?? E esta gente esquisita que por aqui anda... debaixo de que pedra é que os foram buscar??? Punha-se era um Reggae, convidava-se mesmo gente gira, estendia-se a festa aqui para fora, para a praia, mantinha-se as camas e os puffs lá dentro (tiraram tudo e fizeram lá tipo pista de dança de discoteca), enfim..."
Quando voltei para dentro tinha a festa terminado. Alguém sugeriu ir ao "RS", que é outra coisa que nunca tinha ouvido falar. Eu já estava pronta, aliás morta, para ir para casa, mas aflitinha para ir à casa de banho, então disse às minhas amigas que as levava lá, entrava para ir à casa de banho, mas depois ía-me embora.
E assim foi.Entrei lá e senti-me... deixa ver se consigo exemplificar...hum... ok, não consigo. Muito mas mesmo muito mau. A música era tipo um trance do xunning, uma coisa do outro mundo que me estava a fritar o cérebro... as gajas tinham ar de acabadas de sair de um show de strip, e os gajos tinham cara de "olá, eu ando no ginásio o dia todo, e o meu cérebro é tão quadrado quanto o meu físico", cabelo cheio de brilhantina todo espetado tipo ouriço, e óculos escuros (tipo...dah?!?).
As quatro avançámos para a pista, em jeito de "Sex and the city", mas eu deveria ser a Miranda, ou pelo menos assim me sentía no meio das minhas amigas todas altas, todas produzidas, todas giraças, com as suas mini-saias e decotes avantajados, e mais uma vez os gajos todos a babarem-se... e enquanto nos estamos a dirigir para a pista, no meio daqueles gajos nojentos todos, um cruza-se comigo, agarra-me no braço e diz " - És linda!".Arranquei o meu braço das mãos dele, e nem parei nem olhei para a cara dele e durante um segundo tive a minha reacção normal, que é raiva "atrasado mental, este macacóide, mas que merda é esta, a agarrar-me, fo**-se!
E de repente sorri... caramba... eu que toda a noite estava convencida que era invisível no meio das minhas amigas poderosas, e afinal... pelo menos para alguém, de todas, eu era linda! Obrigado.Valeu a noite, só por isso. Levei as minhas amigas até à pista, não aguentei 10 minutos daquela música e daquele ambiente, e vim-me embora.Foi uma noite em que senti-me enganada ( a festa era afinal uma merda), senti-me fora do meu mundo, do meu ambiente, da minha tranquilidade, da minha realidade, mas no final, aquela frase fez valer a noite.Agora...Tão cedo não me apanham numa festa do Valter ou do Delmare, e RS então nunca mais vai ter o privilégio de ter os meus lindos pézinhos por lá. Temos pena.

A Paixão...

... não passa de uma fase, que antecede ou não o amor. O amor, por sua vez, é facilmente corruptível. E nós, os nossos sonhos e as nossas vontades, somos quem o corrompe.Ao fim ao cabo encontraremos o amor quando encontrarmos algum santo que nos ature e nos inspire paciência para o aturar.E Santos, são cada vez mais difíceis de encontrar.

O Palito

Ontem estava eu a jantar num restaurante quando a minha paz foi bruscamente interrompida por um típico personagem daqueles que a mim desperta o meu lado maquiavélico e me dá vontade de pregar uma rasteira ou qualquer outra maldade.O dito começou por desatar a falar a um nível de decibéis para mim já acima do limite do aceitável em público, com a mulher, que se encontrava no outro lado do restaurante, e ele em pé atrás da minha cadeira. Além de com o primeiro grito, eu quase ter cuspido a garfada que tinha acabado de pôr na boca, ainda olhei por cima do ombro a imaginar quantos tipos de germes diferentes teriam se deslocado da boca daquele verme para o meu prato.O tipo passou ao meu lado (era uma óptima oportunidade para uma rasteirinha "não intencional"), dirigiu-se ao balcão. Pelo caminho reparei ainda numa nódoa gigante que tinha nas calças, precisamente no rabo (não, eu não estava numa qualquer tasca de bêbados e dissidentes!!). No balcão, agarrou num palito, e ali mesmo, de frente para a sala onde pessoas civilizadas tentavam jantar, desatou a palitar os dentes ( dando uns estalidos com a língua nos dentes de vez em quando, para ver se a coisa estava a resultar.)E é assim que nascem os snobes. Temos pena. A meu ver aquela pessoa devia ser proibida de frequentar os mesmos lugares que as pessoas civilizadas como eu. Não existe em vários estabelecimentos aquela placa que diz " A gerência reserva-se ao direito de admissão"?Então porra, ponham lá isso em prática se faz favor

Dirty talk

Naqueles momentos a que os americanos tão sabiamente chamam de "Quality time", persiste em mim algo a que chamo de autêntico "turn off"- as palavras. Sei bem que é algo que muitas pessoas gostam, há até aqueles que gostam de relatar desde o inicio ("excitas-me!", "faz assim", "mete assado", "estou quase lá", etc...) e há aquelas que adoram ouvir. Já ouve quem me cobrasse o silêncio, no entanto eu prefiro usar a linguagem corporal ou inevitávelmente deixar escapar uns sons ou uns gemidos, a verbalizar a coisa. Claro que não começo muda e acabo calada, se tiver de dizer necessáriamente alguma coisa, como "vamos lá com mais calma que eu não tenho pressa de chegar a lado nenhum", então eu digo, exactamente para evitar que uma experiência que eventualmente possa ser boa, acabe em frustração. Mas quando começa a haver muita verbalização confesso que não me agrada. Não consigo explicar porquê, confesso. Farto-me de pensar nisso, uma vez que tantas pessoas são adeptas de verbalizar o seu "tempo de qualidade", algumas até necessitam disso para que realmente seja de qualidade.
A mim dá-me vontade de soltar um "CALA-TE lá e trabalha mais se faz favor"

Depois há a questão da verbalização ordinária. E quando digo ordinária, não é só com a conotação de ofensiva, mas também ordinária de rasca. Pérolas do português pornográfico como "f**e-me", "vou-te dar uma f**a", "vou-me esp***ar todo/a", "mete-o todo" e por aí fora, na minha opinião são autênticas "turn off's". Lá porque as meninas dos filmes que andas a ver gostam de falar ou que falem com elas assim, isto aqui não tem guião, ok? Estamos aqui os dois, e para mim basta-me ver-te a contorcer-te, a cerrar os olhos, a morder os lábios, a gemer, e sentir o teu coração acelerado, e isso sim, faz-me querer mais e mais e repetir.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Acho engraçada...

... a ilusão que a grande maioria dos homens tem em relação aos encontros casuais. Essa maioria pensa, nem que seja inconscientemente, que uma vez que não tem qualquer intenção futura para com a vítima, não está a fazer nada senão usá-la. Apenas e só. Como quem fuma um cigarro até este acabar e deita a beata para o chão. Aquele cigarro acabou, e fuma-se outro igual. Mas esquecem que, também as mulheres usam os homens. Por todos os motivos e mais algum, do mais incompreensível ao mais desculpável. Há aquelas que usam os homens pelo dinheiro. Ou pela fama. Ou para lixar alguma amiga (!). Ou porque o alcóol libertou a líbido. Ou porque não estão para estar sozinhas. Ou porque simplesmente apetece-lhes ter sexo com aquele que quimicamente escolheram. E por outros inúmeros motivos considerados ainda pouco nobres nos dias que correm. A liberdade sexual, tanto dos homens como das mulheres, anda por aí mas não à descarada. Principalmente no que toca às mulheres. Existem ainda os preconceitos. Sempre foi mais fácil julgar que assumir. E assim andam as pessoas de olhos vendados, a fingir que isto não é uma realidade. Eu tornei-me exigente com a idade, ou com a experiência. Selecta até diria eu. Mas não tenho de passar fome por causa disso, pois não? Nem tenho de enganar ninguém (muito menos a mim própria). E importar-me com o que possam pensar, dizer, sentir. Sim, talvez seja um pouco egoísta, mas não tenho culpa de ter expectativas altas e ainda não ter encontrado alguém que "me tome pelas rédeas".
A nossa liberdade acaba onde começa a dos outros, mas ninguém é obrigado a nada no que toca ao sexo casual. Que é um risco que se corre, das coisas darem para o torto, isso é. Mas vale a pena o risco!!

Distância

Estou distante embora próxima. Isto porque não sou eu quem aqui está. Não por completo. Falta aquela metade. Aquela metade que une as pessoas. Estou aqui, mas não estou a pensar. Não me interessa o dia de ontem, nem o de amanhã, só esta noite - e tirar o melhor partido.
Agora, sou livre, solta, sem fronteiras castradoras. Acendo um cigarro na tua sala enquanto te ausentas e sinto-me estranhamente íntima. E com isso, incomodada. Está na hora de ir.

Hipocrisia

Há aqueles que fazem o que querem, porque querem.
Há aqueles que não fazem porque não querem.
E há aqueles que querem fazer mas não fazem, por causa daquilo que os outros possam falar ou pensar.
Tenho pena deles.